POR QUE CHORAM?

Respeito ao tempo de cada criança é essencial a adaptação na escola

Por Portal DX 09/03/2018 - 15:21 hs
Foto: Cristiane Aline

 

Por Cristiane Aline (Xanxerê)

O choro é comum. Quem passa pelas creches e escolas nos primeiros dias de aula pode achar até estranho, mas a situação faz parte da rotina inicial de volta ou inserção a escola. Para tornar esse período o mais agradável e aceitável possível, a Coordenadora pedagógica da Creche 01 ao terceiro ano do ensino fundamental 01 e orientadora educacional do turno matutino do Colégio La Salle Xanxerê, Fabíola Zwicker Wustro e a psicóloga e terapeuta familiar Melina Bongiorno indicam algumas ações para melhor adaptação das crianças e pais que também sofrem com este período.

O início do ano letivo, principalmente o primeiro ano da criança na escola, é um momento novo, de adaptações e descobertas, tanto boas como ruins e tudo que é novo gera sensações de ansiedade, expectativa e por vezes medo. Por isso, segundo Fabíola, os pais devem se preparar e preparar seus filhos para o ano letivo com muita conversa, iniciando muito antes do primeiro dia de aula. Aliada a conversa, algumas atitudes podem auxiliar ao processo como a utilização de algum objeto pessoal pela criança, nanas, chupetas, cobertor, estes itens segundo a coordenadora Fabíola, podem elevar o sentimento de acolhida da criança na escola, trazendo mais confiança e melhor aceitação.

“Essa adaptação é um momento de separação da criança de ambiente conhecido para algo novo, isso gera uma ansiedade pela antecipação que ameaça o futuro. Muitas coisas passam pela cabeça das crianças, “será que a professora é legal, será que não, minha mãe não me ama mais, porque ela fez isso comigo”. Neste momento entra o trabalho do professor que, nestas horas, deixa um pouco a didática de lado e trabalha o aconchego, explicando que ela o ama sim, que é por isso que ele está no colégio, que ele vai aprender e fazer amiguinhos”, comenta Fabíola.  

Melina completa dizendo que o sentimento do novo assusta até nós adultos, que sabemos como o mundo funciona, mas mesmo assim passamos por momentos de ansiedade, expectativas e medo. Então para uma criança que está descobrindo o mundo e seu maior porto seguro são os pais e sua casa, aceitar que está em um lugar diferente e que os pais não o acompanharão, é um sentimento difícil, mas que vai, com incentivo, se tornar um sentimento bom.

SUGESTÕES PARA ADAPTAÇÃO

Segundo Fabíola, para melhorar este processo é crucial que os pais confiem na escola que escolheram para educação dos filhos. Outras dicas são:

- Incentivar os filhos a irem. “Mesmo que a criança chore, que sabemos que vai, o deixe ir. É um cordão umbilical que se corta, então para os pais também não é fácil, mas é necessário”.

- Respeitar o tempo da criança. Cada uma é diferente por isso é preciso respeitar e evitar comparações com o filho dos outros.

- Preparação da rotina familiar. “Busque a inclusão da criança nas atividades ligadas a aula, como o arrumar dos materiais na mochila, do lanche, na troca do uniforme torne isso algo bom”.

- Apoio. “Incentive e mostre entusiasmo, dizendo que amanhã você vai à escola que lá é um lugar bom”.

- Criar uma afinidade da criança com a professora.

- Explicar as principais mudanças. “Definir que a criança vai ficar aos cuidados da professora e no horário marcado, o pai ou a mãe vem buscar e não se atrasar”.

- Validar o sentimento de dor. Validar o sentimento é fundamental mas também incentivar dizendo que é dolorido, mas que é necessário e que vai passar.

- Nunca mentir.

- E para os pais, controlar a ansiedade.

“É importante os pais deixarem claro que irão sempre voltar para buscar a criança, pois nesse momento algumas crianças sentem uma angústia de separação muito grande e pensam que serão abandonadas, este é um dos motivos para as crianças se agarrarem nos pais e chorarem. E é de suma importância que os pais não cheguem atrasados para buscar a criança nos primeiros dias, para que estas não fiquem inseguras. Por outro lado, é importante que os pais não transpareçam as suas angústias para seus filhos”, explica a psicóloga. 

A orientadora Fabíola explica que após todo o procedimento se a criança continuar chorando, o que são casos raros, os pais devem ser fortes e não ceder a levar a criança para casa, pois se cria assim uma associação do choro com a conquista de ir para casa.

“Por mais que seja doloroso, não levar pra casa. Os pais devem deixar a criança na escola e ir, se necessário fica aqui na sala da direção aguardando, depois de meia hora uma hora se o choro continuar, a escola liga e os pais voltam. E isso é necessário, pois por experiência, se o pai levar uma vez, a criança associa e torna a acontecer”, comenta Fabíola.

Sobre a idade de inserção na vida escolar e as críticas que muitas vezes os pais sofrem por esta decisão, Melina comenta que não existe idade certa para iniciar a vida escolar.

“Existe o que é melhor para a criança naquele momento. É importante que os pais, independente da idade dos filhos, tenham um bom vínculo com a escola, que possam analisar e avaliar as atividades propostas aos filhos e também fazer sugestões e críticas. Os pais são as pessoas mais adequadas para medir os prós e contras de colocarem seus filhos na escola, como também da idade que estes devem iniciar seus estudos e socialização”.