Postado em 15 de Fevereiro às 09h33

Preço do feijão pode chegar a R$ 15 o quilo nas gondolas do supermercado

Especialista relata o cenário que está elevando o preço do grão e afirma que estabilidade ou baixa no preço pode acontecer só em meados de maio. 

Por Joimara S.Camilotti 

Xanxerê – A mudança ocorrida em 2016, na mesa do brasileiro, está com dias contados para se repetir ou pior, ser ainda maior. A expectativa é que o preço do tradicional feijão, seja preto ou carioca suba e muito, com previsão de quebra de recorde de 2016. A previsão é do especialista na área de venda de cereais, Norberto Amauri Guollo, que trabalhou há 20 anos como gerente de cereais em uma grande empresa aqui da região e hoje atua como corretor no Brasil e Argentina no ramo de feijão.

Guollo conta que há 40 dias os reflexos desta alta começaram a atingir o mercado. O feijão vinha num patamar na faixa de R$ 140 a R$ 150 a saca do carioca e preto, porém houve uma frustração muito grande na safra do Paraná, somado a baixa produção em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o que acendeu o alerta para a compra do produto fora do Brasil, o que eleva ainda mais o custo.

“Primeiramente o Paraná vinha desestimulado com os preços e com a elevação dos contratos futuros de soja e milho, assim o produtor optou em plantar mais soja e milho que já tinha rentabilidade melhor e menos risco e plantaram menos feijão. Isso resultou num percentual de 30% de feijão plantado a menos nas safras do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que são os principais produtores do Brasil. Com um menor plantio, uma rentabilidade da colheita muito baixa devido ao clima, além da seca no Paraná resultou numa colheita muito abaixo do normal. Quando se colhia na faixa de 40 a 45 sacas por hectare, o produtor acabou colhendo de 15 a 25 sacas por hectare, uma ou outra lavoura que acabou pegando uma chuva esporádica que conseguiu colher um pouco mais, mas muito abaixo do esperado”, disse.

Os reflexos foram os preços. A saca do feijão que estava girando em São Paulo por R$ 180 hoje já está na faixa de R$ 400 a saca. “Isso está com o feijão comercial e extra, e o preto no mesmo patamar, só que aqui no Sul de R$140 a saca, já se fala em R$ 250 para o produtor e para suprir essa falta de mercadoria estão exportando da Argentina, onde se comprava por US$ 520 dólares hoje já se adquire de US$ 900 a mil dólares a tonelada”, informou o especialista. 

De acordo com Guollo, a perspectiva é que a alta do preço se mantenha no mercado chegando, já nos próximos dias para o consumidor. “O preço na gondola vai começar a subir muito a partir de agora, porque não tem safra recente no Brasil para suprir essa demanda, para estabilizar ou baixar o preço”.


Melhorias no cenário
A previsão é que até o final do mês abril, quando se inicia a safrinha de maio em quase todo o País, o preço continue neste patamar ou acima e só venha a sofrer queda em meados de maio.

“Se cogita que podemos até bater o recorde de 2016, quando o feijão foi a R$ 550 a saca em São Paulo. A expectativa é que chegue neste patamar ou ultrapasse. A única maneira desse feijão baixar ou estabilizar no mercado é se entrasse uma safra boa no Brasil que suprisse, mas hoje não existe. O feijão importado dos EUA e China só chega em meados de abril, porque vem por navio, tem todos os tramites legais e viria com patamar de preço de mil e cem dólares”, frisou.

A tendência é que o mercado fique em alta e o consumidor passe a pagar de R$ 10 a R$ 15 o quilo. “É uma perspectiva que já estamos vendo no mercado, pois soma-se todo o processo de maquinagem, o custo que tem para embalar, os impostos, a distribuição, o lucro do mercado e assim já se tem uma perspectiva”, finalizou. 

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